CAMINHO

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FÉ - ESPERANÇA - PAZ - AMOR

sexta-feira, 1 de abril de 2011

DESERTO - encontro desafiador - II

DESERTO - encontro desafiador - II
O sublime encontro no deserto
Pe. Inácio José do Vale,
Professor de História da Igreja - Faculdade de Teologia de Volta Redonda

“Para alguém poder receber e conservar as inspirações de Deus
 tem que apreciar a solidão, o sossego, o silêncio interior e exterior,
 caso contrário,ou não vai recebê-las,
 ou elas, recebidas, vão se enfraquecer e se dissipar”. 
São Gaspar Bertorni - Fundador dos estigmatinos

Em várias tradições religiosas e filosóficas o deserto é o lugar de purificação, decisão, mudanças, abissais meditações e renascimento de uma nova vida.
As condições ambientais de despojamento, próprias do deserto, são favoráveis as profundas reflexões do interior. Assim, a viagem da alma é levada ao imensurável. Esta é a experiência autotranscendental.
A vida dos grandes homens foram impactadas no encontro com Deus no deserto: Moisés (Ex 3,1-6); Davi (1Sm 24,1; Sl 55,7); Elias (1 Rs 19, 8-14); João Batista (Lc 1, 80; 3,2); Paulo (Gl 1, 15-21). O deserto é o lugar sublime do encontro do “eu” frágil, finito e pecador com o Senhor Deus Santo, Eterno e Todo-Poderoso.
Essa é a verdadeira prova que o deserto propício à revelação das nossas incompatibilidades. Todo o nosso ser é descoberto, desnudado e nada pode ser escondido ou negado. “Aqui estão às tentações do deserto: “Eu”, as minhas misérias e os anjos” (Ex 23,20; Dt 8,2.3; Mt 4,11).

A exortação é muito forte no deserto. Somos agraciados com a humilhação, perdão, reconciliação e comunhão com Deus.
O grande místico São João da Cruz dizia: “Que quanto mais perto de Deus chega à alma, tanto mais consciência terá de sua imperfeição”. No deserto só há uma lugar para ficar perto: de Deus.

SOLIDÃO E SILÊNCIO

O mundo não sabe da solidão e do silêncio. O silêncio desconstrói o mito dialogal humano. O ser humano não é apenas extroversão, comunicação e conexão. Ele é também silêncio, incomunicabilidade e mistério.
Silêncio e solidão nada têm a ver com o quadro psicopatológico. Fuga, paliativo, placebo e panacéia estão desconectados com a realidade do nosso silêncio e recolhimento.
Isolamento por desacertos psicológicos não pode ser tomando como caminho espiritual do silêncio sagrado e fecundo, porque o contexto da solidão está bem acompanhada: da consciência do “eu”, dos santos, dos anjos e da Santíssima Trindade. O solitário e o individualista materialista estão sempre sozinhos e infelizes.
O silêncio e a solidão aqui tratados são na dimensão mística – contemplativa. Caminhamos com ascese e a hesychia (palavra grega para a oração do coração, significando quietude e silêncio).
O exercício do bendito silêncio leva o fim do estiolamento da mente e a limpeza da alma tisnada.
A alma deseja profundamente o mistério, o silêncio para ter mais intimidade com Deus. É por demais dialogante o silêncio da alma.
A belíssima e a grande Santa Teresinha do Menino Jesus dizia: “Muitas vezes apenas um silêncio sem palavras expressa a minha oração. Deus a compreende”.

Nas OFICINAS DE ORAÇÃO E VIDA Frei Ignácio Larrañaga ensina-nos como aumentar nossa intimidade com Deus no silêncio, na solidão do deserto. Percorremos por uma maneira prática e objetiva os ensinamentos, onde a participação e a vivência nos levam à paz interior numa transformação de vida pelo amor e o perdão.


http://www.tovpil.org/

DESERTO - encontro desafiador -I

DESERTO - encontro desafiador - I

A importância do deserto

“Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto” (Mt 4,1).
Pe. Inácio José do Vale,
Professor de História da Igreja - Faculdade de Teologia de Volta Redonda

Na completa desolação do deserto físico é possível: ver as coisas claramente, sem as distrações do mundo;
Viver na simplicidade, valorizando apenas as necessidades básicas para sobrevivência; discernir o que realmente importa para a vida (1Jo 2,16), como, por exemplo, que um copo de água é mais importante que um diamante.
Entretanto, como não moramos no deserto, nós precisamos chegar às mesmas conclusões citadas acima, mesmo vivendo em meio às distrações do mundo. E a Quaresma é o tempo ideal para deixarmos o Espírito Santo nos conduzir ao nosso deserto espiritual e nos falar ao coração9 (Os 2,16). Alguns, talvez, tenham dificuldade para ver a semelhança entre o deserto espiritual e o deserto físico, mas ela existe, de fato, pois tanto em um como em outro:
As tentações estão presentes, e podemos reconhecê-las claramente;
A tudo o que parece ser importante para o mundo, como bens matérias e prestígios, nada valem;
Tudo o que é desvalorizado pela sociedade secular, como, por exemplo, a Palavra de Deus, a oração, o jejum e o silêncio possuem um imenso valor espiritual;
Somente a proteção de Deus e o que Ele nos provê são importantes; e as conseqüências de nossa desobediência a Suas orientações nos serão fatais.
Na Sagrada Escritura, o deserto tem grande significado, pois ele é tido como um lugar de amor (Jr 2,2), para onde o Senhor nos atrai (Os 2,16) e derrama sobre nossos corações, através do Espírito Santo, todo Seu amor (Rm 5,5). É no deserto que nós, como os israelitas, somos alimentados apenas pelo maná do Senhor (Ex 16,35) e nos regozijamos plenamente (Is 35,1). Por isso, é importante refletirmos sobre o deserto; em especial sobre o nosso deserto espiritual, pois é nele que preparamos “um caminho para o Senhor” (Is 40,3).

Nas OFICINAS DE ORAÇÃO E VIDA Frei Ignácio Larrañaga ensina-nos como aumentar nossa intimidade com Deus no silêncio, na solidão do deserto. Percorremos por uma maneira prática e objetiva os ensinamentos, onde a participação e a vivência nos levam à paz interior numa transformação de vida pelo amor e o perdão.


http://www.tovpil.org/

quinta-feira, 3 de março de 2011

TODO MUNDO - QUALQUER UM - ALGUÉM - NINGUÉM

TODO MUNDO - QUALQUER UM - ALGUÉM - NINGUÉM

O Encontro de Coordenadores dos Vicariatos Suburbano e Leopoldina terminou com uma divertida dinâmica que fez sucesso. TODO MUNDO pediu que ela fosse divulgada no nosso Blog para que QUALQUER UM pudesse usá-la. ALGUÉM, então, enviou a dinâmica para nós. Aproveite-a em sua comunidade... NINGUÉM vai ficar parado!


Sugestão de dinâmica. Dividir o grupo em quatro. Uma parte será "todo mundo", outra "alguém", "ninguém" e outra "qualquer um'". Em seus próprios lugares eles participarão levantando ou gesticulando sempre que o “nome” for citado. O dinamizador lê pausadamente o texto. Concluir refletindo sobre o Compromisso.


TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM E NINGUÉM

Essa é a história de quatro pessoas que pertencem a mesma paróquia: "Todo mundo", "Alguém", "Qualquer um" e "Ninguém". Nessa Paróquia um grande trabalho devia ser feito e "Todo Mundo" tinha certeza de que "Alguém" o faria.

Até o Padre na Reunião do Conselho considerou que "Qualquer Um" poderia tê-lo feito, mas "Ninguém" o fez.

Como às vezes acontece em algumas Comunidades.

"Alguém" se zangou porque era um trabalho de "Todo Mundo".

"Todo Mundo" pensou que "Qualquer Um" poderia fazê-lo, mas "Ninguém" imaginou que "Todo Mundo" deixasse de fazê-lo.

Ao final, "Todo Mundo" culpou "Alguém" quando "Ninguém" fez o que "Qualquer Um" poderia ter feito..."

  • De quem é a culpa afinal?...
  • Quem tem que assumir o trabalho? ...
(Reproduzido do BLOG "Iniciação Cristã" da Arquidiocese do Rio de Janeiro) 

domingo, 16 de janeiro de 2011

VIVA A VIDA

VIVA A VIDA

A vida é uma oportunidade, aproveite-a.
A vida é beleza, admire-a.
A vida é felicidade, deguste-a.
A vida é um sonho, torne-o realidade.
A vida é um desafio, enfrente-o.
A vida é um dever, cumpra-o.
A vida é um jogo, jogue-o.
A vida é preciosa, cuide dela.
A vida é uma riqueza, conserve-a.
A vida é um mistério, descubra-o.
A vida é uma promessa, cumpra-a.
A vida é uma tristeza, supere-a.
A vida é um hino, cante-o.
A vida é uma luta, aceite-a.
A vida é uma aventura, arrisque-a.
A vida é felicidade, mereça-a.
A vida é a vida, defende-a.
 (Conselhos de Madre Teresa de Calcutá) - transcrito do livro "Vinde à parte e descansai um pouco" - Carmita Overbeck - Ed. Paulinas.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A ARTE DE CONVERSAR

A arte de conversar

O título acima pode surpreender. Pois, conversar exigirá uma certa arte? Estamos conversando a toda hora, a respeito de tudo, e alguém pretenderá haver nisto arte?!
Não se confunda conversa com falatório.
Outrora, as relações sociais chegaram a atingir um alto grau de requinte, de finura, e - por que não? - também de nobreza. Aquilo que constitui um dos atributos mais próprios do ser racional, que é a interlocução inteligível entre indivíduos, adquiriu as características de uma arte, no seu sentido mais elevado.

Como é sabido, o período do Ancien Régime, na França sobretudo, mas também em várias outras nações da Europa, alcançou este alto patamar da interlocução humana, transformando‑o em arte consumada. Foi no chamado século das luzes que essa arte expandiu-se por inteiro, atingindo então seu apogeu com o aparecimento dos salões de conversa, que constituíram um dos fenômenos mais fascinantes da cultura europeia. Neles as pessoas se reuniam tão ‑só para conversar, com dia e hora marcadas.
Troca de opiniões repetitivas não é conversa
Claro está que não se contentavam com uma simples troca de ideias ou, menos ainda, com uma banal permuta de palavras ou de opiniões repetitivas, tão a gosto de alguns atualmente. Os salões de conversa exigiam de seus frequentadores, além de elevada cultura geral, uma forma de apresentação do discurso que deixava transparecer justamente todo o seu charme. Conversar era apresentar um assunto de modo elegante, atraente, inédito às vezes, além de profundamente ligado à realidade, podendo até mesmo ter sua nota de inesperado.

Não raro, lamentamo-nos em ter acabado o tempo no qual as pessoas tinham a superioridade de se reunir para conversar sobre temas elevados. Hoje em dia, malgrado a boa vontade existente, as condições concretas da vida tornam este tipo de arte quase impraticável.
Justamente, a tal propósito, tomei conhecimento de uma obra -Les Salons européens. ‑ Les beaux moments d'une culture féminine disparue- (1), que traça a história dos salões de conversa europeus, de suas pré‑-origens até seu desaparecimento no século atual, após um período de agonia.
A conversa como favorecedora da cultura.
Transcrevo, em tradução um pouco livre, trechos do capítulo final, intitulado "Último adeus a um paraíso perdido":
"A vida de salão, enquanto fenômeno cultural único, acabou no conjunto do espaço europeu.
Como encontrar, por um golpe de varinha mágica, o tempo e o local para fundar um laboratório de conversa altamente espirituosa? A tranquilidade necessária para usufruir isto encontra-se estrangulada pela rapidez da vida moderna. Manter um local, com frequentadores habituais, não corresponde mais às tendências do homem de hoje, o qual, na maior parte das vezes, atribui mais importância ao esporte e às viagens do que a dedicar-se à arte da conversa.
A conversa favorecedora da cultura, que se desenrola sem limites de tempo e sem obrigação de se chegar a um termo de entendimento, cedeu o lugar à formação da opinião pela mídia. A conversa recreativa deslocouse, cada vez mais nitidamente, rumo a um estilo pergunta e resposta.
A comunicação escrita triunfou sobre as relações por meio da conversa. As discussões culturais são levadas a cabo, na maioria das vezes, pelas redações de jornais ou das emissoras de televisão, muito mais do que nos lares.
Acrescente-se a isso a tendência à especialização, golpe mortal para o homem comum que leva aqueles que estão fartos da mídia rumo a associações literárias e a sessões de leituras, que revestem um caráter quase que de conspiração.
O mundanismo, em vez da sociabilidade, é que constitui presentemente o veículo da informação. A conversa de tônus espirituoso cede o passo ante o jargão de determinado meio.
A televisão também se apresenta, hoje em dia, como prática literária. Entretanto, tal ação permanece limitada ao entrevistador e a seus convidados; o telespectador permite passivamente que lhe sirvam a conversação até em sua própria sala de visita".
Tais observações são suficientemente cogentes e explícitas, para dispensar outros comentários. Não obstante, aproveito a ocasião para levantar uma questão. Tem-se falado, e com muito acerto, a respeito de certos malefícios causados pela TV, notadamente no campo da deformação moral.
Aqui aparece mais um dano, do qual se tem tratado insuficientemente: o lento "homicídio" da formação cultural individual, quase, diria, personalizada, pela mídia de massas. Ainda mais do que a produção de uma cultura enlatada, como tem sido apelidada por certos críticos, é a incapacidade de elaborar cultura que nos tem sido servida, quase impingida, a pretexto de atualidade.
Será que o confisco do tempo necessário à conversa pode ser considerado um benefício?
- Claro está que na conversa devemos sempre manter um trato respeitoso com nosso interlocutor, ainda que tenhamos objeções a debater com ele.
Muito acertadamente pondera neste sentido um escritor católico (2):
"O trato respeitoso deve estar presente na interlocução, inclusive, quando as pessoas discutem por divergências de opinião. Assim como se admira na esgrima beleza dos movimentos, a categoria e destreza dos contendores, assim se pode compreender essa verdadeira esgrima do espírito que é a discussão bem conduzida, na qual uma das partes opõe argumentos de peso contra a outra, e esta responde à altura. Afinal, aquele que sustenta o conceito legítimo, tem ganho de causa.
Sem dúvida, é interessante observar o confronto entre dois indivíduos com mentalidade, inteligência, feitio de alma, modos de ser diferentes, ouvir argumento contra argumento e notar o triunfo de um deles.
Faz parte da arte da conversa, assim como este outro ponto muito importante que é o compreender a psicologia daquele com quem tratamos, a fim de se conhecer sua personalidade e preparar seu espírito para aceitar o que lhe dizemos".
Pratiquemos a arte da conversa e procuremos expandi-la o mais possível. Além de uma obra de apostolado de primeira ordem, também ajudaremos a tornar nossos relacionamentos mais culturais.

(Artigo: A arte de conversar. Autor: Gaudium Press - 2010/11/16 - http://www.gaudiumpress.org/ )

APRENDENDO COM FREI IGNÁCIO, FUNDADOR DAS OFICINAS DE ORAÇÃO E VIDA

AMAR É DIALOGAR 

O diálogo não é um debate de ideias, em que se combate com o fogo cruzado de critérios, atrás dos quais ocultam-se e se defendem as atitudes e interesses pessoais.
Diálogo não é polêmica, nem controvérsia, nem confrontação dialética de concepções ou mentalidades diferentes. Também não se trata de vários monólogos entrecortados pelo jogo das luzes verdes e vermelhas, como acontece com os semáforos da rua.

Trata-se de buscar a verdade entre duas pessoas, ou em um grupo.
Todo diálogo se processa sobre diferenças. É preciso que você seja você mesmo, e eu seja eu mesmo, cada um com a total identidade consigo mesmo. O diálogo exige, em primeiro lugar, uma grande sinceridade. 
Sempre que se busca a verdade ou se quer superar um conflito interpessoal por meio do diálogo, a primeira e elementar atitude é a humildade.
Precisamos de humildade para esquecer velhas histórias, desavenças passadas, o que aconteceu em nosso diálogo anterior. Precisamos da atitude generosa de perdoar. São as situações emocionais que bloqueiam a comunicação entre os irmãos. As distâncias dos corações se cristalizam em distâncias das mentes. Nesses casos, as pessoas se inibem e se refugiam nas regiões mais longínquas de si mesmas.
É preciso aceitar o outro como é, sem preconceitos, sem apriorismos. Tenho que pensar que ele tem tanto direito quanto eu de ser ele mesmo, com suas peculiaridade e deficiências. Na hora de escutá-lo, tenho que esquecer os preconceitos contra ele, olhá-lo com simpatia e compreender a globalidade de sua personalidade, sua história passada e sua situação presente. 
A comunidade deve crer e amar o diálogo porque ele
solta todos os nós,
dissipa todas as suspeitas,
abre todas as portas,
soluciona todos os conflitos, 
amadurece a pessoa e a comunidade,
é o vínculo da unidade e da paz,
é a alma e a "mãe" da Fraternidade.
("Suba Comigo" - Frei Ignácio Larrañaga - Ed. Paulinas) 

sábado, 25 de dezembro de 2010

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Cardeal Dom Eugenio de Araújo Sales - Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro - Jornal "Testemunho de Fé" - Ed. nº 515 - 19 a 25/12/2010


Já tive a oportunidade de comentar em outras ocasiões o Catecismo da Igreja Católica. No entanto, sua relevância para a missão da Igreja e o bem que faz aos fiéis e a outras pessoas de boa vontade justificam uma nova abordagem.
 
O Catecismo da Igreja Católica é um instrumento precioso “que ajuda a aprofundar o conhecimento da fé. Representa um válido e seguro instrumento para os presbíteros na sua formação permanente e na pregação; para os catequistas, na sua preparação remota e próxima para o serviço da Palavra; para as famílias, no seu caminho de crescimento rumo ao pleno exercício das potencialidades ínsitas no sacramento do matrimônio; para os teólogos, que poderão encontrar uma autorizada referência doutrinal para a sua incansável investigação. Apresenta-se, enfim, como precioso subsídio para a atualização sistemática daqueles que trabalham nos múltiplos campos da ação eclesial (Discurso do Papa João Paulo II, 8 de setembro de 1997).
 
Mesmo os não pertencentes à Igreja têm aí o autêntico ensinamento de Cristo. Isso facilita o discernimento entre a doutrina sã e as elucubrações de indivíduos que aco-bertam suas interpretações pessoais e errôneas sob o nome de “católicos”. O conteú-do do Catecismo é a aplicação da Revelação divina à vida de cada um. Ele nasce da Palavra de Deus contida na Sagrada Escritura e na Tradição e, estudado, ilumina nos-sos passos.
 
Foi o resultado de anos de atividade em que, sob a presidência do então cardeal Josef Ratzinger, na época Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, uma comissão de teólogos das várias partes do mundo trabalhou intensamente. O texto foi submetido à apreciação do episcopado da Igreja inteira, recebendo então poucos retoques, sendo aprovado em junho de 1992 pelo Papa João Paulo II.
 
A obra se dispõe harmonicamente em quatro partes: 1) A Fé professada (Credo); 2) A fé celebrada (a Liturgia); 3) A Fé vivenciada (a Moral); 4) A Fé feita oração e o Pai-Nosso. A leitura do texto é fácil e agradável. Está longe de ser uma cartilha inovadora de pecados.
 
Somos bombardeados, em nossa época, por uma variedade de conceitos, propostas e ideias as mais diversas e contraditórias. Em meio a esse vozerio, onde está o certo? Como diferenciá-lo do errado? Como agir? Para que houvesse uma solução a cada problema e em todas as circunstâncias, veio Cristo nos ensinar. Sua doutrina está consignada nos Livros Sagrados e na Tradição, ambos confiados ao Magistério vivo.
 
Como a verdade é eterna, essas diretrizes são perenes. Ocorre que, ao passar dos anos, surgem novas realidades, que pedem uma orientação de acordo com o doutrinamento do Senhor Jesus. Para isso, a Igreja acompanha o gênero humano em suas interrogações e lhe proporciona a informação solicitada. E o faz com a garantia que lhe deu o Mestre: “Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10,16).
 
Acresce a necessidade de ter, com presteza, o atendimento às nossas inquietações e perguntas.
 
Para tudo isso têm sido, desde o início da Igreja, preparados escritos que solucionem essas carências. No início da Igreja houve obras com essa finalidade. A Didaqué, no século I, é um exemplo. Tivemos um célebre Catecismo, que atravessou séculos e nele aprendemos em nossa infância a Doutrina de Jesus. Foi o Catecismo chamado “do Concílio de Trento” ou “de São Pio V”. Hoje, eis que temos o Catecismo da Igreja Católica, continuação do anterior, atualizado em suas respostas aos problemas novos à luz do Vaticano II. No entanto, nada de essencial é alterado.
 
O homem moderno, enfrentando as mudanças frequentes, tem nesse livro precioso o caminho certo. Para encontrá-lo, basta buscá-lo nessa obra. Aí está, de maneira sistemática, compreensível e integral.
 
O Catecismo nasce da Bíblia e da Tradição. Ao mesmo tempo, leva a elas seu leitor. Todo o texto torna mais claros e ordenados os assuntos. Há um índice remissivo que facilita a procura de temas e questões.
 
Sem dúvida, é importante ter em casa, na mesa de trabalho, a Bíblia, que contém a Palavra de Deus. Igualmente o Catecismo da Igreja Católica. Urge, no entanto, estudar mais o conteúdo desse livro. Obviamente, antes de tudo, está a leitura diária e piedosa da Sagrada Escritura. O Catecismo da Igreja Católica nos é proposto não tanto para termos a posse de um exemplar, mas com o objetivo de nos fazer aprender e praticar seus ensinamentos, considerando as diretrizes que nos dá.
 
Cada ser humano tem necessidade de adquirir conhecimentos, inclusive no campo religioso. O nível das lições é diverso. Como crianças, temos uma compreensão muito elementar. Ao passar dos anos, as exigências de maior conhecimento de nossa Fé se avolumam. São outras interrogações, que exigem respostas convincentes. Em todos há algo de comum: a dimensão eterna da vida humana. O destino futuro, após a morte, dependerá de nossos atos hoje e a eles condicionados. Isso nos mostra nitidamente a importância do estudo do Catecismo, que nos proporciona a orientação de cada ato de nossa existência. Vê-se assim, claramente, como essa obra está intimamente relacionada com nosso presente e o futuro.
 
Diz-se muitas vezes que o mundo se distanciou de Deus. A verdade é que, em nossos dias, cresce a fome do Sagrado. Vivamos, pois, segundo a Doutrina de Jesus, e tenhamos no Catecismo um tesouro para nossas vidas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

RENOVADA EVANGELIZAÇÃO

Parte da Homilia do Papa Bento XVI, em 28 de junho de 2010, em que ele aborda a Evangelização e anuncia “criar um novo Organismo, sob a forma de "Pontifício Conselho", com a principal tarefa de promover uma renovada evangelização”.


O Servo de Deus Giovanni Battista Montini, quando foi eleito Sucessor de Pedro, em plena fase de realização do Concílio Vaticano II, desejou assumir o nome do Apóstolo das nações. No interior do seu programa de realização do Concílio, em 1974 Paulo vi convocou a Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre o tema da evangelização do mundo contemporâneo, e cerca de um ano mais tarde, publicou a Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, que começa com estas palavras: "O compromisso de anunciar o Evangelho aos homens do nosso tempo, animados pela esperança mas, ao mesmo tempo, muitas vezes atormentados pelo medo e pela angústia, é sem dúvida alguma um serviço presta-do à comunidade cristã, mas também a toda a humanidade" (n. 1). Impressiona a atualidade destas expressões. Sentem-se nelas toda a particular sensibilidade missionária de Paulo VI e, através da sua voz, o grande anseio conciliar da evangelização do mundo contemporâneo, anseio que culmina no Decreto Ad gentes, mas que permeia todos os documentos do Concílio Vaticano II e que, antes ainda, animava os pensamentos e o trabalho dos Padres conciliares, reunidos para representar de modo jamais tão tangível, a difusão mundial alcançada pela Igreja.

Não são necessárias palavras para explicar como o Venerável João PauloII, no seu longo pontificado, desenvolveu esta projecção missionária que – é preciso recordá-lo – sempre corresponde à própria natureza da Igreja que, como São Paulo, pode e deve repetir sempre: "Porque se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois que me é imposta esta obrigação: ai de mim, se eu não evangelizar!" (1 Cor 9, 16). O Papa João Paulo II representou "ao vivo" a natureza missionária da Igreja, com as viagens apostólicas e com a insistência do seu Magistério sobre a urgência de uma "nova evangelização: "nova" não nos seus conteúdos, mas no seu impulso interior, aberto à graça do Espírito Santo, que constitui a força da lei nova do Evangelho e que sempre renova a Igreja; "nova" na busca de modalidades que correspondam à força do Espírito Santo e sejam adaptadas aos tempos e às situações; e "nova", porque necessária também nos países que já receberam o anúncio do Evangelho. É evidente para todos que o meu Predecessor deu um impulso extraordinário para a missão da Igreja, não apenas – repito – pelas distâncias por ele percorridas, mas sobretudo pelo genuíno espírito missionário que o animava e que nos deixou em herança no alvorecer do terceiro milénio.

Recolhendo esta herança, pude afirmar, no início do meu ministério petrino, que a Igreja é jovem e está aberta ao futuro. E repito-o também hoje, ao lado do sepulcro de São Paulo: a Igreja constitui no mundo uma imensa força renovadora, decerto não pelas suas forças, mas pela força do Evangelho, em que sopra o Espírito Santo de Deus, o Deus criador e redentor do mundo. Os desafios da época contemporânea estão certamente acima das capacidades humanas: trata-se dos desafios históricos e sociais e, com maior razão, dos espirituais. Às vezes parece que nós, Pastores da Igreja, revivemos a experiência dos Apóstolos, quando milhares de pessoas necessitadas seguiam Cristo, e Ele perguntava: o que podemos fazer por toda esta multidão? Então, eles experimentavam a própria impotência. Mas precisamente Jesus demonstrou-lhes que com a fé em Deus nada é impossível, e que poucos pães e peixes, abençoados e compartilhados, podiam dar de comer a todos. Mas não havia – e não há – somente a fome de um alimento material: existe uma fome mais profunda, que apenas Deus pode saciar. Também o homem do terceiro milénio aspira a uma vida autêntica e plena, tem necessidade da verdade, da profunda liberdade, do amor gratuito. Até nos desertos do mundo secularizado, a alma do homem tem sede de Deus, do Deus vivo. Por isso João Paulo II escrevia: "A missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, ainda está muito longe do seu pleno cumprimento", e acrescentava: "Uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão ainda está no início, e que devemos empenhar-nos com todas as forças ao seu serviço" (Encíclica Redemptoris missio, 1). Existem regiões do mundo que ainda esperam uma primeira evangelização; outras que já a receberam, mas que têm necessidade de um trabalho mais aprofundado; outras ainda, em que o Evangelho desde há muito tempo lançou raízes, dando lugar a uma verdadeira tradição cristã, mas onde nos últimos séculos – com dinâmicas complexas – o processo de secularização produziu uma grave crise do sentido da fé cristã e da pertença à Igreja.

Nesta perspectiva, decidi criar um novo Organismo, sob a forma de "Pontifício Conselho", com a principal tarefa de promover uma renovada evangelização nos países onde já ressoou o primeiro anúncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que estão a passar por uma progressiva secularização da sociedade e a viver uma espécie de "eclipse do sentido de Deus", que constituem um desafio a encontrar meios adequados para voltar a propor a verdade perene do Evangelho de Cristo.
Caros irmãos e irmãs, o desafio da nova evangelização interpela a Igreja universal, exortando-nos a continuar com empenhamento na busca da plena unidade entre os cristãos. Um eloquente sinal de esperança neste sentido é o hábito das visitas recíprocas entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla, por ocasião das festas dos respectivos Santos Padroeiros. Por isso, hoje acolhemos com renovada alegria e reconhecimento a Delegação enviada pelo Patriarca Bartolomeu I, a quem dirigimos a mais cordial saudação. A intercessão dos Santos Pedro e Paulo obtenha para a Igreja inteira fé fervorosa e coragem apostólica, para anunciar ao mundo a verdade de que todos nós temos necessidade, a verdade que é Deus, origem e fim do universo e da história, Pai misericordioso e fiel, esperança de vida eterna. Amém!

As Oficinas de Oração e Vida, com os ensinamentos do fundador Frei Ignácio Larrañaga, é um apostolado que se propõe a vivenciar e anunciar a NOVA EVANGELIZAÇÃO. À afirmação de São Gregório Magno: "Os fiéis nos deixam e nos abandonam e nós permanecemos em silêncio", as Oficinas de Oração e Vida identificam "o sinal que o Papa nos deu para não permanecermos em silêncio", com esse Conselho Pontifício para a promoção da Nova Evangelização.
Participe, inscreva-se nas Oficinas de Oração e Vida. 
 
http://www.tovpil.org/