CAMINHO

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FÉ - ESPERANÇA - PAZ - AMOR

domingo, 26 de junho de 2011

VIVAMOS O HOJE, O AMANHÃ NÃO NOS PERTENCE

Duas estórias: uma é a sua! 




É provável que sejam raras as pessoas que não se perguntem se os acontecimentos que alegram ou machucam a nossa vida sejam obra do destino, do acaso ou de Deus... Uma tentativa de resposta foi dada pelas duas estórias que passo a apresentar. À primeira vista, elas parecem antagônicas, uma pecando por ingenuidade e a outra por malícia... Mas, para quem se deixa guiar pela sabedoria que vem de Deus, elas se completam e têm muito a ensinar. Ei-las!
Havia uma vez, no alto da montanha, três plantas que passavam horas sonhando o futuro que as aguardava quando crescessem.
A primeira delas, fitando as estrelas, pensava: «Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. Para tanto, se for preciso, aceito até mesmo ser cortada em pedaços».
A segunda, olhando para o riacho que corria ao seu lado, suspirava: «Eu adoraria ser um grande navio que transportasse reis e rainhas».
A terceira, fixando o vale que se estendia a seus pés, dizia: «Prefiro ficar aqui, no alto da montanha, para que as pessoas, ao me verem, elevem seu pensamento a Deus».
Muitos anos se passaram. Certo dia, vieram alguns lenhadores e cortaram as três árvores, ansiosas por se transformarem naquilo que sonhavam.
A primeira foi transformada num coxo, para saciar a fome dos animais.
A segunda virou um barco, para carregar pessoas, mercadorias e peixes.
A terceira não viu respeitado seu desejo de permanecer no alto da montanha; acabou cortada em grossas vigas e deixada de lado, num depósito.
Mas, numa noite cheia de luz e de estrelas, com mil melodias enchendo os ares, uma jovem mulher colocou seu bebê num coxo de animais. Foi então que a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo...
Anos mais tarde, a segunda árvore transportou um homem que, ante uma furiosa tempestade, disse a um grupo de passageiros amedrontados: «Por que sois tão covardes? Onde está a vossa fé?» (Mc 4,40). Num relance, ela entendeu que carregava o Senhor do céu e da terra.
Tempos depois, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Sentiu-se horrível e cruel. Mas, no terceiro dia, o mundo vibrou de alegria e ela percebeu que havia acolhido o Salvador da humanidade. É assim que todos se lembram dela ao olharem para o Crucificado.
Essa, a primeira a estória, válida para as crianças de antigamente (as modernas “amadurecem” cedo demais!). Vejamos, agora, o que nos ensina a outra estória, dirigida a adultos menos inocentes...
Certo dia, na antiga Pérsia, um homem rico e poderoso estava passeando no parque em companhia de um criado. Em dado momento, este soltou um grito e deu um pulo: «Estou vendo a morte, com uma foice na mão, vindo ao meu encontro!».
Chorando desesperado, o funcionário pediu ao patrão que lhe emprestasse o cavalo mais rápido da cocheira, para ser pôr imediatamente a caminho e fugir para Teerã, aonde pretendia chegar antes do anoitecer. Compadecido, o amo lhe deu o cavalo, e o criado partiu a galope.
Voltando para casa, o empresário se deparou com a morte e lhe perguntou: «Por que você assustou e ameaçou o meu criado?». Ela lhe respondeu: «Eu não quis assustá-lo nem ameaçá-lo. Apenas me admirei por vê-lo aqui, pois tenho um encontro marcado com ele hoje à noite, em Teerã!».
A conclusão depende do coração de cada leitor. Os que acreditam no amor e na providência de Deus, constatam que, na primeira estória, cada uma das três árvores viu realizado o seu sonho, mas de forma diferente do que imaginavam. Assim, eles também, quando as coisas não acontecem da maneira como gostariam, não desanimam nem se revoltam, pois sabem que Deus tem um plano melhor para suas vidas.
Pelo contrário, na segunda estória, o ser humano é um joguete do acaso. O seu destino está selado. Não adianta fugir. O empregado do patrão persa pensava salvar-se refugiando-se em Teerã – justamente onde a morte o estava esperando!
É por isso que a sabedoria das sabedorias é viver intensamente o momento presente «buscando antes de tudo o reino de Deus e a sua justiça. O resto vos será dado por acréscimo. Não vos preocupeis com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações. A cada dia bastam as suas dificuldades!» (Mt 6,33-34). - Dom Redovino Rizzardo, cs  - CNBB 
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quinta-feira, 23 de junho de 2011

DONS DO ESPÍRITO SANTO

DONS DO ESPÍRITO SANTO


1 DOM DA SABEDORIA
Este dom nos ensina a fazer escolhas certas na vida. Sabedoria é viver a história e os acontecimentos com os olhos de Deus. Ela desperta o gosto pelas coisas de Deus e ilumina nosso caminho. A sabedoria nos leva ao verdadeiro conhecimento de Deus e à busca dos valores da vida. Sábia é a pessoa que pratica a justiça, tem coração misericordioso e ama intensamente a vida, porque esta é dom de Deus.


2 DOM DA INTELIGÊNCIA
Inteligente é a pessoa que está com os pés no chão e sabe discernir o que acontece à sua volta. O dom da inteligência nos ajuda a perceber o que é a favor da vida ou contra a vida. Este   dom nos leva a entender e compreender as verdades da salvação, reveladas na Bíblia e nos ensinamentos da Igreja. Leva-nos a ver, sentir e conhecer os sentimentos e as atitudes do coração das outras pessoas.

3 DOM DO CONSELHO
Este dom nos ensina a estar aberto à graça e à ação de Deus, que nos orienta no caminho da vida. À medida que nos abrimos à graça divina, mais sábios nos tornamos e melhores conselheiros somos. É o dom de orientar e ajudar a quem precisa. Ele nos ensina a dialogar fraternalmente, em família e em comunidade, acolhendo o diferente que vive ao nosso lado. Capacita-nos a animar os desanimados e fazer sorrit os que sofrem.

4 DOM DA FORTALEZA
Com este dom o Espírito Santo nos torna fortes para não tropeçarmos diante das dificuldades e das propostas enganadoras. Fortaleza nos lembra resistência e luta. Devemos ser fortes para resistir ao mal. Tornar as pessoas fortes e corajosas para enfrentar as dificuldades da vida. Animar os jovens a ter esperança no futuro, os pais a assumir com otimismo os próprios deveres e todos a buscar uma sociedade mais fraterna.

5 DOM DA CIÊNCIA
O dom da ciência ou do conhecimento nos ajuda a aplicar, em favor da vida e do bem-estar dos menos favorecidos, as luzes obtidas por meio do estudo e da experiência. A ciência nos leva a buscar a justiça e igualdade para todos. Capacita-nos a descobrir, inventar e recriar alternativas para salvar o ser humano e a natureza. Suscita atitudes de participação, de empenho e de ousadia perante a cultura da morte.


6. DOM DA PIEDADE
O dom da Piedade produz em nós uma afeição filial para com Deus, adorando-o com amor sobrenatural e santo ardor, e uma terna afeição para com as pessoas e coisas divinas. Aprimora em nós a virtude da justiça, sob todas as suas formas, a da religião, a da piedade e a da gratidão. Pela virtude da justiça, damos ao outro (a Deus ou ao próximo) aquilo que lhe pertence. Pelo dom da piedade, damos ao outro tudo o que podemos dar, sem medidas.

7. DOM DO TEMOR A DEUS
Este dom (também chamado DOM DO RESPEITO A DEUS) nos ajuda a dar a Deus o devido valor e lugar na nossa vida. O respeito deve estar baseado no amor e na gratuidade do relacionamento. Como fruto do amor, ele gera vida. O respeito a Deus nos leva a respeitar as pessoas em sua individualidade. Esse dom nos dá a consciência de quanto Deus nos ama, antes de tudo e acima de tudo. Por isso, precisamos corresponder a esse amor.     
      

COMUNHÃO - PÃO - CÁLICE

COMUNHÃO

Irmãos, o cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? 











E o pão que  partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? 


Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão. 








1Cor 10,16-17


domingo, 15 de maio de 2011

O BOM PASTOR

O BOM PASTOR

Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.  Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar. esus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem. m senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
 O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. 
Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor. - Jo 10,1-16

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ENCONTRO COM DEUS NO SHOPPING

ENCONTRO COM DEUS NO SHOPPING

Um espaço para o encontro com Deus no Shopping




Quarta-feira, dia 27 de abril, os cariocas ganharam mais  uma
 capela e desta vez no Shopping Via Brasil, na Rua Itapera, em
 Irajá, perto do Trevo das Margaridas, mais precisamente no
 entroncamento entre a Avenida Brasil e a Via Dutra.

terça-feira, 26 de abril de 2011

BÊNÇÃO JOÃO DE DEUS

BÊNÇÃO JOÃO DE DEUS




ROGAI POR NÓS!

PAPA BENTO XVI - EM PROGRAMA DE TELEVISÃO

PAPA BENTO XVI - EM PROGRAMA DE TELEVISÃO 

Dor e sofrimento explicados pelo Papa Bento XVI


2011-04-26 07:27:00

O Papa Bento XVI fez história esta Sexta-feira Santa ao aparecer pela primeira vez em um programa televisivo -o show "A Sua Imagem", que se transmite na estação italiana RAI1- e responder sete perguntas pré-gravadas vindas de todo o mundo e referidas ao medo, a dor, o estado de coma, a perseguição de cristãos, a ressurreição e a Virgem Maria.

A seguir, a íntegra das respostas do Papa Bento XVI:

P: Santo Padre, quero agradecer-lhe pela sua presença que nos enche de alegria e nos ajuda a recordar que hoje é o dia em que Jesus demonstra Seu amor no modo mais radical, morrendo na cruz como inocente. Precisamente sobre o tema da dor inocente é a primeira pergunta que vem de uma menina japonesa de sete anos, que lhe diz: meu nome é Elena, sou japonesa e tenho sete anos. Tenho muito medo porque a casa em que me sentia segura tremeu muitíssimo, e porque muitas crianças da minha idade morreram. Não posso ir brincar no parque. Quero perguntar-lhe: por que tenho que passar tanto medo? Por que as crianças têm que sofrer tanta tristeza? Peço ao Papa, que fala com Deus, que me explique isso.
R: Querida Elena, eu a saúdo com todo o coração. Também eu me pergunto: por que é assim? Por que vós tendes que sofrer tanto, enquanto outros vivem comodamente? E não temos resposta, mas sabemos que Jesus sofreu como vós, inocentes, que Deus verdadeiro se mostra em Jesus, Ele está ao seu lado. Isto me parece muito importante, apesar de que não temos respostas, se a tristeza seguir: Deus está ao seu lado, e devemos estar seguros de que isto os ajudará. E um dia poderemos compreender por que aconteceu isto. Neste momento me parece importante que você saiba Deus me ama, embora pareça que não me conhece. Não, Ele me ama, está a meu lado, e devemos estar seguros de que no mundo, no universo, há tantas pessoas que estão a seu lado, que pensam em vós, que fazem todo o possível por vocês, para ajudá-los. E ser conscientes de que, um dia, eu compreenderei que este sofrimento não era uma coisa vazia, não era inútil, mas atrás do sofrimento há um projeto bom, um projeto de amor. Não é uma coincidência. Sinta-se segura, estamos a seu lado, ao lado de todas as crianças japoneses que sofrem, queremos ajudá-las com a oração, com nossos atos, e devem estar seguros de que Deus os ajuda. E deste modo rezamos juntos para que a luz chegue a vocês o quanto antes.

P: A segunda pergunta nos põe diante de um calvário, porque se trata de uma mãe que está junto à cruz de um filho. É italiana, chama-se Maria Teresa e lhe pergunta: Santidade, a alma de meu filho, Francesco, em estado vegetativo desde o dia de Páscoa do 2009, abandonou seu corpo, visto que está totalmente inconsciente, ou ainda está nele?
R: Certamente a alma está ainda presente no corpo. A situação é um pouco como a de um violão que tem as cordas partidas e que não se pode tocar. Assim também o instrumento do corpo é frágil, vulnerável, e a alma não pode tocar, para dizê-lo de algum modo, mas segue presente. Estou também seguro de que esta alma escondida sente em profundidade seu amor, apesar de que não compreende os detalhes, as palavras, etc., mas sente a presença do amor. E por isso esta sua presença, queridos pais, querida mãe, junto a ele, horas e horas cada dia, é um verdadeiro ato de amor muito valioso, porque esta presença entra na profundidade desta alma escondida e seu ato é um testemunho de fé em Deus, de fé no homem, de fé, digamos de compromisso a favor da vida, de respeito pela vida humana, inclusive nas situações mais trágicas. Por isso os animo a prosseguir, sabendo o que fazem um grande serviço à humanidade com este sinal de confiança, com este sinal de respeito da vida, com este amor por um corpo lacerado, uma alma que sofre.

P: A terceira pergunta nos leva ao Iraque, entre os jovens de Bagdá, cristãos perseguidos que lhe enviam esta pergunta: Saudamos o Santo padre desde o Iraque –dizem-. Nós, cristãos de Bagdá somos perseguidos como Jesus. Santo Padre, de que modo podemos ajudar a nossa comunidade cristã para que reconsiderem o desejo de emigrar a outros países, convencendo-lhes de que partir não é a única solução?
R: Queria em primeiro lugar saudar com todo o coração a todos os cristãos do Iraque, nossos irmãos, e tenho que dizer que rezo cada dia pelos cristãos do Iraque. São nossos irmãos que sofrem, como também em outras terras do mundo, e por isso os sinto especialmente próximos a meu coração e, na medida de nossas possibilidades, temos que fazer todo o possível para que possam resistir à tentação de emigrar, que –nas condições nas que vivem- resulta muito compreensível. Diria que é importante que estejamos perto de vós, queridos irmãos do Iraque, que queiramos ajudá-los e quando vierem, recebê-los realmente como irmãos. E naturalmente, as instituições, todos os que têm uma possibilidade de fazer algo pelo Iraque, devem fazê-lo. A Santa Sé está em permanente contato com as distintas comunidades, não só com as comunidades católicas, mas também com as demais comunidades cristãs, com os irmãos muçulmanos, sejam xiitas ou sunitas. E queremos fazer um trabalho de reconciliação, de compreensão, também com o governo, ajudá-lo neste difícil caminho de recompor uma sociedade rasgada. Porque este é o problema, que a sociedade está profundamente dividida, lacerada, já não têm esta consciência: Nós somos na diversidade, um povo com uma história comum, no qual cada um tem seu lugar. E devem reconstruir esta consciência que, na diversidade, têm uma história comum, uma comum determinação. E nós queremos, em diálogo precisamente com os distintos grupos, ajudar o processo de reconstrução e animar a vós, queridos irmãos cristãos do Iraque, a ter confiança, a ter paciência, a ter confiança em Deus, a colaborar neste difícil processo. Tenham a segurança de nossa oração.

P: A seguinte pergunta é de uma mulher muçulmana da Costa do Marfim, um país em guerra há anos. Esta senhora se chama Bintú e lhe envia uma saudação em árabe que pode ser traduzida deste modo: Que Deus esteja em meio de todas as palavras que nos diremos e que Deus esteja contigo. É uma frase que utilizam ao começar um diálogo. E depois prossegue em francês: Querido Santo Padre, aqui na Costa do Marfim vivemos sempre em harmonia entre cristãos e muçulmanos. Freqüentemente as famílias estão formadas por membros de ambas as religiões; existe também uma diversidade de etnias, mas nunca tivemos problemas. Agora tudo mudou: a crise que vivemos, causada pela política, esta semeando divisões. Quantos inocentes perderam a vida! Quantos prófugos, quantas mães e quantas crianças traumatizados! Os mensageiros exortaram à paz, os profetas exortaram à paz. Jesus é um homem de paz. Você, como embaixador de Jesus, o que aconselharia a nosso país?
R: Quero responder à saudação: que Deus esteja também contigo, e sempre te ajude. E tenho que dizer que recebi cartas dilaceradoras da Costa do Marfim, onde vejo toda a tristeza, a profundidade do sofrimento, e fico triste porque podemos fazer tão pouco. Sempre podemos fazer uma coisa: orar com vós, e na medida do possível, fazer obras de caridade, e sobre tudo queremos colaborar, segundo nossas possibilidades, nos contatos políticos, humanos. Encarreguei que o cardeal Tuckson, que é presidente do nosso Conselho de Justiça e Paz, fosse a Costa do Marfim e tente mediar, falar com os diversos grupos, com as distintas pessoas, para facilitar um novo começo. E sobre tudo queremos fazer ouvir a voz de Jesus, em quem você também acredita como profeta. Era sempre o homem da paz. Podia pensar-se que, quando Deus veio à terra, fá-lo-ia como um homem de grande força, que destruiria as potências adversárias, que seria um homem de uma forte violência como instrumento de paz. Nada disto: veio débil, veio sozinho com a força do amor, totalmente sem violência até ir à cruz. E isto nos mostra o verdadeiro rosto de Deus, e que a violência não vem nunca de Deus, nunca ajuda a produzir coisas boas, mas é um meio destrutivo e não é o caminho para sair das dificuldades. É uma forte voz contra todo tipo de violência. Convido fortemente a todas as partes a renunciar à violência, a procurar as vias da paz. Para a recomposição de seu povo não podem usar meios violentos, embora pensem ter razão. A única via é a renúncia à violência, recomeçar o diálogo, as tentativas de encontrar juntos a paz, uma nova atenção dos uns para os outros, a nova disponibilidade abrir-se o um ao outro. E este, querida senhora, é a verdadeira mensagem de Jesus: procurem a paz com os meios da paz e abandonem a violência. Rezamos por vós para que todos os componentes de sua sociedade sintam esta voz de Jesus e assim retorne a paz e a comunhão.

P: Santo Padre, a próxima pergunta é sobre o tema da morte e a ressurreição de Jesus e chega da Itália. Eu a leio: Santidade: Que fez Jesus no lapso de tempo entre a morte e a ressurreição? E, já que no Credo se diz que Jesus depois da morte descendeu aos infernos: Podemos pensar que é algo que nos passará também , depois da morte, antes de subir ao Céu?
R: Em primeiro lugar, esta descida da alma de Jesus não deve imaginar-se como uma viagem geográfica, local, de um continente a outro. É uma viagem da alma. É preciso ter em conta que a alma de Jesus sempre toca a do Pai, está sempre em contato com o Padre, mas ao mesmo tempo, esta alma humana se estende até os últimos limites do ser humano. Neste sentido desce às profundidades, vai rumo ao perdidos, dirige-se a todos aqueles que não alcançaram a meta de suas vidas, e transcende assim os continentes do passado. Esta palavra da descida do Senhor aos infernos significa, sobre tudo, que Jesus alcança também o passado, que a eficácia da redenção não começa no ano zero ou no ano trinta, mas sim se estende ao passado, abrange o passado, a todas as pessoas de todos os tempos. Dizem os Padres, com uma imagem muito formosa, que Jesus toma pela mão Adão e Eva, quer dizer a humanidade, e a encaminha para frente, para as alturas. E assim cria o acesso a Deus, porque o homem, por si mesmo, não pode elevar-se à altura de Deus. Jesus mesmo, sendo um homem, tomando o homem pela mão, abre o acesso. Que acesso? À realidade que chamamos céu. Assim, este descida aos infernos, quer dizer, nas profundidades do ser humano, nas profundidades do passado da humanidade, é uma parte essencial da missão de Jesus, de sua missão de Redentor e não se aplica a nós. Nossa vida é diferente, o Senhor já nos redimiu e nos apresentamos ao Juiz, depois de nossa morte, sob o olhar de Jesus, e este olhar em parte será purificador: acredito que todos nós, em maior ou menor medida, precisaremos ser purificados. O olhar de Jesus nos purifica e ademais nos torna capazes de viver com Deus, de viver com os Santos, sobre tudo de viver em comunhão com nossos seres queridos que nos precederam.

P: Também a seguinte pergunta é sobre o tema da ressurreição e vem da Itália: Santidade, quando as mulheres chegam ao sepulcro, no domingo depois da morte de Jesus, não reconhecem o Mestre, confundem-no com outro. O mesmo acontece com os Apóstolos: Jesus tem que mostrar as feridas, partir o pão para que o reconheçam precisamente por seus gestos. O seu é um corpo real de carne e osso, mas também um corpo glorioso. O fato de que seu corpo ressuscitado não tenha as mesmas características que antes, o que significa? E o que significa, exatamente, corpo glorioso? E a ressurreição, será também assim para nós? "
R: Naturalmente, não podemos definir o corpo glorioso porque está além de nossa experiência. Só podemos interpretar alguns dos sinais que Jesus nos deu para entender, ao menos um pouco, aonde aponta esta realidade. O primeiro sinal: o sepulcro está vazio. Quer dizer, Jesus não abandonou seu corpo à corrupção, ensinou-nos que também a matéria está destinada à eternidade, que ressuscitou realmente, que não ficou perdido. Jesus assumiu também a matéria, por isso a matéria está também destinada à eternidade. Mas assumiu esta matéria em uma nova forma de vida, este é o segundo ponto: Jesus não morre mais, quer dizer: está além das leis da biologia, da física, porque os submetidos a elas morrem. Portanto há uma condição nova, diversa, que não conhecemos, mas que se revela no ocorrido a Jesus, e essa é a grande promessa para todos nós de que há um mundo novo, uma nova vida, para a qual estamos encaminhados. E, estando já nessa condição, para Jesus é possível que os outros o toquem, pode dar a mão a seus amigos e comer com eles, mas, entretanto está além das condições da vida biológica, como a que nós vivemos. E sabemos que, por uma parte, é um homem real, não um fantasma, vive uma vida real, mas é uma vida nova que já não está sujeita à morte e essa é nossa grande promessa. É importante entender isto, ao menos o que nos seja possível, com o exemplo da Eucaristia: na Eucaristia, o Senhor nos dá seu corpo glorioso, não nos dá carne para comer em sentido biológico; nos dá Ele mesmo; quão novo é Ele , entra em nosso ser homens e mulheres, no nosso, em meu ser pessoa, como pessoa e chega a nós com seu ser, de modo que podemos nos deixar penetrar por sua presença, transformar-nos em sua presença. É um ponto importante, porque assim já estamos em contato com esta nova vida, este novo tipo de vida, já que Ele entrou em mim, e eu saí de mim e me estendo para uma nova dimensão de vida. Penso que este aspecto da promessa, da realidade que Ele se entrega para mim e me faz sair de mim mesmo, me eleva, seja a questão mais importante: não se trata de decifrar coisas que não podemos entender mas de encaminhar-nos para a novidade que começa, sempre, de novo, na Eucaristia.

P: Santo Padre, a última pergunta é sobre Maria. Aos pés da cruz, há um comovedor diálogo entre Jesus, sua mãe e João, no que Jesus diz a Maria: Eis aqui o teu filho e a João: Eis a tua mãe. Em seu último livro, "Jesus de Nazaré", você o define como uma disposição final de Jesus. Como devemos entender estas palavras? O que significado tinham naquele momento e que significado têm hoje em dia? E já que estamos no tema de confiar. Você pensa renovar uma consagração à Virgem no início deste novo milênio?
R: Estas palavras de Jesus são acima de tudo um ato muito humano. Vemos Jesus como um homem verdadeiro que leva adiante um gesto de verdadeiro homem: um ato de amor por sua mãe confiando-a ao jovem João para que esteja segura. Naquela época no Oriente uma mulher sozinha se encontrava em uma situação impossível. Confia sua mãe a este jovem e lhe confia sua mãe. Jesus realmente atua como um homem com um sentimento profundamente humano. Parece-me muito formoso, muito importante que antes de qualquer teologia vejamos aqui a verdadeira humanidade, o verdadeiro humanismo de Jesus. Mas é obvio este gesto tem várias dimensões, não corresponde só a este momento: concerne a toda a história. Em João, Jesus confia a todos nós, a toda a Igreja, a todos os futuros discípulos a sua mãe e sua mãe a nós. E isto se cumpriu ao longo da história: a humanidade e os cristãos entenderam cada vez mais que a mãe de Jesus é sua mãe. “E cada vez mais pessoas se confiaram à sua Mãe: basta pensar nos grandes santuários, nesta devoção à Maria, onde cada vez mais o povo sente: Esta é a Mãe.” E inclusive alguns que quase têm dificuldade para chegar a Jesus em sua grandeza do Filho de Deus, confiam-se à Mãe sem dificuldade. Alguns dizem: Mas isso não tem fundamento bíblico. Aqui eu gostaria de responder com São Gregório Magno: À medida que se lê - diz - crescem as palavras da Escritura." Quer dizer, desenvolvem-se na realidade, crescem , e cada vez mais na história se difunde esta Palavra. Todos podemos estar agradecidos porque a Mãe é uma realidade, a todos deram uma mãe. E podemos nos dirigir com muita confiança a esta mãe, que para cada cristão é sua Mãe. Por outro lado a Mãe é também expressão da Igreja. Não podemos ser cristãos sozinhos, com um cristianismo construído segundo minhas idéias. A Mãe é imagem da Igreja, da Mãe Igreja e confiando-nos a Maria, também temos que confiar-nos à Igreja, viver a Igreja, ser Igreja com Maria. Chego agora ao tema da consagração: os papas - Pio XII, Paulo VI e João Paulo II - fizeram um grande ato de consagração à Virgem Maria e acredito que , como gesto ante a humanidade, diante de Maria mesmo, foi muito importante. Eu acredito que agora seja importante interiorizar esse ato, deixar que nos penetre, para realizá-lo em nós mesmos. Por isso visitei alguns dos grandes santuários marianos do mundo: Lourdes, Fátima, Czestochowa, Altötting , sempre com o fim de fazer concreto, de interiorizar esse ato de consagração, para que seja realmente nosso ato. Acredito que o ato grande, público, já foi feito. Talvez algum dia se deverá repeti-lo, mas no momento me parece mais importante vivê-lo, realizá-lo, entrar nesta consagração para fazê-la nossa verdadeiramente. Por exemplo, em Fátima, percebia como os milhares de pessoas presentes eram conscientes dessa consagração, confiaram-se, encarnando-a em si mesmos, para si mesmos. Assim essa consagração se faz realidade na Igreja viva e assim cresce também a Igreja. A entrega a Maria, que todos nos deixemos penetrar e formar por essa presença, o entrar em comunhão com Maria, faz-nos Igreja, faz-nos, junto com Maria, realmente esposa de Cristo. De modo que, pelo momento, não tenho intenção de uma nova consagração pública, mas sim gostaria de convidar a todos a incorporar-se a essa consagração que já está feita, para que a vivamos verdadeiramente dia após dia e cresça assim uma Igreja realmente Mariana que é Mãe e Esposa e Filha de Jesus.

por Papa Bento XVI *
Site:acidigital.com