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domingo, 6 de dezembro de 2009

Jornal “GAZETA DO POVO” do Paraná, entrevista Frei Ignácio

ENTREVISTA

“A oração dá a paz que nenhum psiquiatra oferece”




Frei Ignacio Larrañaga, sacerdote e fundador das Oficinas de Oração e Vida

Publicado em 26/09/2009

MARCIO ANTONIO CAMPOS


Entre uma pergunta e outra, frei Ignacio Larrañaga repara que o grupo de guias curitibanos das Oficinas de Oração e Vida absorve com atenção cada palavra do que ele diz – afinal, não é sempre que se pode estar tão perto do criador desse método de espiritualidade que completa 25 anos tendo influenciado milhões de pessoas nos cinco continentes. Para comemorar o jubileu de prata, o sacerdote espanhol de 81 anos está rodando os Estados Unidos e a América Latina para encontros com milhares de pessoas, familiarizadas ou não com as Oficinas. O Brasil é a antepenúltima parada, e frei Ignacio faz hoje o segundo desses encontros – o primeiro deles ocorreu ontem, e amanhã ainda haverá um evento reservado aos guias das Oficinas (nelas, pequenos grupos se reúnem semanalmente durante alguns meses para desenvolver sua espiritualidade). Um dos escritores católicos mais lidos do mundo, frei Ignacio conta, em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, que não faz mais do que aproveitar as oportunidades que Deus lhe dá.

Que mensagem o senhor traz para aqueles que vão encontrá-lo durante esse giro pelo Brasil?
Nós estamos comemorando 25 anos das Oficinas de Oração e Vida, um trabalho silencioso e eficaz. A mensagem que eu trago é a da experiência de intimidade com Deus. Um trato pessoal, a sós, em que Deus é acolhido, não apenas aceito. E a essência dessa intimidade é a oração, e a paz que vem dela nenhum psiquiatra no mundo pode oferecer. Quem passou pelas Oficinas aprendeu como reservar um tempo para estar exclusivamente com Jesus por meio da oração, mesmo com tantas tarefas no dia a dia. O que nós oferecemos é exatamente o caminho oposto ao que o mundo vem oferecendo às pessoas, especialmente aos jovens.

E que ameaças o senhor identifica no mundo moderno?
A cultura atual pede um estilo de vida pós-moderno, uma cultura que prescinde de Deus. O homem passa a ser centrado em si mesmo e daí surgem perguntas que ficam sem resposta. Que sentido tem tudo isso? O niilista moderno não sabe responder, porque na pós-modernidade nada vale a pena, e “nada” é uma palavra terrível. A sociedade caminha para um vazio interior. Você nunca se perguntou por que as maiores taxas de suicídio estão justamente nos países mais ricos? Não lhes falta nada, mas ao mesmo tempo lhes falta tudo. E nos jovens isso se reflete de forma ainda mais trágica. Eles estudam, adquirem informação, conhecem todas as novas tecnologias, mas são vazios por dentro.

Por que realizar encontros com grupos específicos, como pais e professores?
Eu sempre faço um evento geral, e alguns com certos grupos para aprofundar naquilo que lhes é particular. Um dos grandes mistérios desse meu giro é que muitos casais vêm aos encontros. Eles superam totalmente as expectativas de números que os organizadores fazem. Mas eu fico feliz, porque isso mostra que os casais têm um desejo profundo de acertar, que seu matrimônio esteja bem. E se o casal vai bem, a família vai bem, e a sociedade vai bem. Por isso temos também um curso voltado apenas para os casais, em que eles têm um tempo diário para si mesmos, respondem a perguntas que vão bem fundo, sobre como eles se veem e como gostariam que seu casamento fosse.

Estamos no meio de um Ano Sacerdotal, proclamado pelo Papa. Qual a sua mensagem para os padres?
Esta é uma época difícil para ser padre, por tudo aquilo que já conversamos. Então, para que os sacerdotes possam ser verdadeiros amigos, discípulos, apóstolos de Jesus Cristo, só existe um caminho: eles precisam ter espírito de oração. Um padre de oração ilumina a Igreja. Ele não precisa procurar as pessoas – as pessoas o procuram, porque esse padre espalha o aroma de Deus. Eu acho uma pena quando vejo sacerdotes que não apenas não rezam, mas que ainda por cima não apreciam a oração. Ficam apenas na pregação social, e às vezes nem nos seminários se cultiva o hábito de rezar. Isso é fatal. Jesus se dedicava integralmente aos últimos da sociedade, mas sempre buscava tempo para estar com o Pai por meio da oração. E aos leigos eu digo e repito: rezem pelos padres, rezem muito. E, por difícil que possa ser, sejam compreensivos para com os padres que erram.

As Oficinas já estão espalhadas pelos cinco continentes. Qual é o futuro?
Não sei dizer concretamente. No meu livro mais recente eu disse que seria o último, mas acabo sempre escrevendo mais um. O que sei é que o futuro será como tem sido sempre: Deus abre as portas, e nós entramos.

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